Revolução verde:
No Brasil o uso de agrotóxicos passou a ser amplamente difundido nos anos 60 como resultado da “Revolução verde” iniciada após a 2ª guerra (1945) no mundo todo.
“Revolução verde” foi o nome dado ao processo de “modernização” das lavouras baseado em um pacote de tecnologias de produção agrícola como a mecanização (uso de tratores), cultivo intensivo da terra (monoculturas) e uso massivo de agrotóxicos e adubos; A "Revolução Verde" ficou assim conhecida porque seus idealizadores falavam que os campos seriam esverdeados pela alta produção, além de ter sido pensada como uma espécie de barreira ao avanço das revoluções socialistas e comunistas (Revoluções Vermelhas). Ela foi um programa de desenvolvimento do capitalismo na agricultura e pecuária. Adotou princípios de melhoramento genético e seleção de variedades de plantas que seriam cada vez mais produtivas. Mas estas "plantas melhoradas" só produziam mais com o uso de sementes híbridas, e a aplicação de novas tecnologias agrícolas baseadas na dependência de
insumos de fora da propriedade (sementes, adubos químicos, agrotóxicos, maquinários, etc). No caso das criações, só se tinha maior produção com a utilização de animais de genética híbrida ou "melhorada", e criados em pequenos espaços (artificiais), aumentando também a dependência de insumos que tinham de ser comprados fora da propriedade (rações, matrizes, medicamentos, equipamentos, etc.).
Como consequência deste modelo da "Revolução Verde" podemos destacar:
- O êxodo rural: já que as máquinas substituem o homem na produção;
- Maior concentração da terra: os pequenos que muitas vezes não se adaptavam a este modelo, eram obrigados a vender suas terras para o latifúndio ou ficavam endividados pelo crédito agrícola que os obrigavam a comprar insumos externos para a produção;
- Aumento da dependência do mercado externo seja para adquirir os insumos, seja para vender as colheitas e criações;
- O uso cada vez maior de agrotóxicos nas lavouras com grandes prejuízos ao meio ambiente.
Agronegócio:
Esta primeira fase do modelo de desenvolvimento entra em crise, e é então substituído pelo Agronegócio, que é o aprofundamento da revolução verde, com maior dependência tecnológica e desrespeito à natureza e sua bio-diversidade. O agronegócio impõe um controle rigoroso na produção agrícola e pecuária, com adoção de organismos geneticamente modificados (transgênicos). As tecnologias adotadas são caras e controladas por multinacionais, a propriedade rural é vista como uma fábrica, ignorando-se o meio ambiente e as pessoas. Aqui é a lógica do mercado o que importa, e ela vem para excluir aqueles pequenos e
médios produtores que resistiram até o momento.
Agronegócio é um nome escolhido para passar para a sociedade uma imagem de sucesso com o aumento da exportação e do superávit primário.Os resultados alcançados pelo agronegócio no Brasil são fruto da opção que os governos tem feito até o momento por esta classe econômica e seu modelo de desenvolvimento.Modelo este agroexportador
de matéria prima e dependente da tecnologia e de insumos externos, máquinas pesadas e energia fóssil que são controlados por transnacionais.O Agronegócio e a Agricultura Familiar Camponesa não são modelos complementares, são sim modelos antagônicos e que nasceram em conflito, eles estão em campos opostos; enquanto o agronegócio tem como princípio o lucro acima de qualquer outro valor, a Agricultura Familiar camponesa tem a vida como fundamento.
A opção histórica dos governos pelo agronegócio fica evidente quando analisamos a distribuição do recurso que é destinado do crédito agrícola para agricultura patronal comparado com o que é destinado para a agricultura familiar (cerca de 30 vezes menor, considerando-se o volume de recursos em proporção ao nº de propriedades). Apesar do pouco recurso destinado à agricultura familiar, e de ocuparem apenas 30,5% das terras agrícolas brasileiras, ela é a responsável pela produção de alimentos para a mesa da população brasileira; gerando renda, emprego e ocupação a mão de obra.
Fonte: Adaptação da Cartilha de Articulação em Políticas Públicas e Assembléia Popular.
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