Esta quarta-feira, dia 26 de fevereiro de 2014, foi um dia que jamais poderá ser comemorado pelo movimento ambientalista comprometido com a verdade dos fatos, porque foi um dia de perda. A aprovação do Plano de Manejo
da APA de Botucatu,completamente mutilado pela votação do CONSEMA, liberando o uso de agrotóxicos classe I e II ( os piores
para a saúde humana e para o meio ambiente), o uso de transgênicos e a falta de
restrição à implantação de atividades potencialmente poluidoras nas áreas de
recarga do Aquífero Guarani, representa uma perda incalculável.
É uma perda para o contribuinte que vê os recursos gastos
pelo estado para criar a APA, manter estruturas, contratar pessoal, contratar a
elaboração do Plano de Manejo, por fim não criar os mecanismos para levar a cabo o
objetivo da APA, a saber, a proteção de atributos específicos presentes na
região das cuestas basálticas, região de mananciais e áreas de recarga do
Aquífero Guarani. Porque criar a APA se as práticas adotadas não servem para
diferenciar o uso desta área de outras áreas?
Para a sociedade, perde-se uma década de discussões
participativas entre os diferentes atores,sociedade civil, setor econômico e
poder público, através do Conselho Gestor da APA, que foram desconsideradas e abrem
precedente para que todos os demais Planos de Manejo de outras APAS também
desconsiderem as discussões democráticas realizadas pelos conselhos gestores.
Para as futuras gerações, perderam-se os mecanismos que
poderiam salvaguardar a qualidade do meio ambiente, da proteção dos recursos
hídricos, da biodiversidade desta porção do território do Estado de São Paulo.
Heidi Buzato
(da diretoria da Associação João de Barro)
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