sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carta aberta aos Gestores de UCs

Carta aberta de alerta e denúncia sobre o processo de elaboração e posterior aprovação no CONSEMA dos Planos de Manejo das Áreas de Proteção Ambiental - APAs 
A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, através da Fundação Florestal, abriu nesta semana edital para a contração de empresas para elaboração de 16 Planos de Manejo para Unidades de Conservação do estado de São Paulo.
O objetivo dos Planos de Manejo das APAs é proteger os atributos presentes nesses territórios, regulamentando a ocupação e o uso dos recursos, diferenciando a ocupação humana, o uso dos recursos naturais e as práticas econômicas daquelas praticadas em outras áreas não protegidas.
Ocorre que a recente aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu no CONSEMA -liberando o uso de agrotóxicos classe I e II, o uso de organismos transgênicos e a liberação de quaisquer atividades econômicas nas áreas de recarga do Aquífero Guarani-, fragiliza esse instrumento de gestão, deixando a região  praticamente tão vulnerável quanto era antes da criação da APA. Esta aprovação abre um precedente perigoso e deve ser objeto de reflexão para as demais Unidades de Conservação. Todo um esforço que será empreendido pela Fundação Florestal, pelos Conselhos Gestores e outros envolvidos, com uso de recursos públicos, para a elaboração dos futuros Planos de Manejo podem, a exemplo do ocorrido com o Plano da APA de Botucatu, na última etapa de aprovação, ter suas principais salvaguardas descartadas do corpo geral do documento.
Se for para suprimir as ações que visam a proteção da Unidade de Conservação, qual o sentido da criação dessas unidades? Que instrumentos podem ser utilizados para assegurar a conservação dessas áreas?  Existem custos na criação de uma Unidade de Conservação que envolvem contratação de pessoas, estrutura física, entre outros. Como se sente um contribuinte diante de gastos públicos cujos resultados não são alcançados, não por outro motivo, senão pela própria incoerência do governo de criar as Unidades de Conservação e não permitir os mecanismos para salvaguardar seus atributos?
O processo de aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu - mutilando-o em seus aspectos cruciais - mostra o descaso do governo do estado com a conservação ambiental.  Na primeira reunião do CONSEMA para aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu, a votação foi suspensa porque o documento a ser avaliado e votado, embora estivesse disponível na secretaria do CONSEMA há quatro meses, somente foi enviado aos conselheiros na véspera da reunião, levando o Ministério Público a pedir o adiamento da votação pelo desconhecimento da matéria a ser avaliada. Na plenária de votação final, ocorrida na última quarta feira, dia 26 de fevereiro de 2014, os principais itens de proteção da APA foram destacados do corpo do Plano de Manejo, tendo sido, por votação, excluídos do mesmo, tornando-o ineficaz na proteção da área, e desfigurando, portanto, o objetivo para o qual foi criado.
Fica aqui, portanto, registrado o nosso protesto, a nossa denúncia e o nosso alerta a todos os envolvidos com as Unidades de Conservação, sobre o processo decisório do CONSEMA que desconsiderou todos os argumentos e evidências que orientaram o processo de elaboração e análise técnica do Plano de Manejo da APA Botucatu, descaracterizando-o totalmente, colocando em risco os frágeis atributos da APA em questão e privilegiando exclusivamente a defesa do interesse econômico majoritário, em detrimento dos interesses da sociedade civil.

Associação Comunitária João de Barro

Instituto Itapoty

Associação Nascentes

Associação Biodinâmica

SOS Cuesta

Perda total!

Esta quarta-feira, dia 26 de fevereiro de 2014, foi um dia que jamais poderá ser comemorado pelo movimento ambientalista comprometido com a verdade dos fatos, porque foi um dia de perda. A aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu,completamente mutilado pela votação do CONSEMA, liberando o uso de agrotóxicos classe I e II ( os piores para a saúde humana e para o meio ambiente), o uso de transgênicos e a falta de restrição à implantação de atividades potencialmente poluidoras nas áreas de recarga do Aquífero Guarani, representa uma perda incalculável.
É uma perda para o contribuinte que vê os recursos gastos pelo estado para criar a APA, manter estruturas, contratar pessoal, contratar a elaboração do Plano de Manejo, por fim não criar os mecanismos para levar a cabo o objetivo da APA, a saber, a proteção de atributos específicos presentes na região das cuestas basálticas, região de mananciais e áreas de recarga do Aquífero Guarani. Porque criar a APA se as práticas adotadas não servem para diferenciar o uso desta área de outras áreas?
Para a sociedade, perde-se uma década de discussões participativas entre os diferentes atores,sociedade civil, setor econômico e poder público, através do Conselho Gestor da APA, que foram desconsideradas e abrem precedente para que todos os demais Planos de Manejo de outras APAS também desconsiderem as discussões democráticas realizadas pelos conselhos gestores.
Para as futuras gerações, perderam-se os mecanismos que poderiam salvaguardar a qualidade do meio ambiente, da proteção dos recursos hídricos, da biodiversidade desta porção do território do Estado de São Paulo.

Heidi Buzato
(da diretoria da Associação João de Barro)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Plano de Manejo da APA Botucatu é aviltado no CONSEMA

Agradecemos a todos que assinaram o abaixo assinado, mas infelizmente o resultado da votação do Plano de Manejo da APA Botucatu hoje no CONSEMA foi terrível, pois o agronegócio falou mais forte e o nosso Plano de Manejo foi mutilado de forma violenta através da exclusão de todos os mecanismos importantes de controle do uso de agrotóxicos e restrições ao plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs) na área da APA. O atual secretário estadual do meio ambiente, Bruno Covas, representantes da FIESP, FAESP, CIESP Botucatu e os prefeitos do PSDB da região, através de carta liderada por João Cury, orquestraram esse terrível resultado para o Meio
Ambiente da nossa região.Como resultado não teremos os meios legais facilitados pelo Plano de Manejo para salvaguardarmos coisas básicas e vitais tais como as áreas de recarga do nosso Aquífero Guarani. Uma década de trabalho de vários técnicos e entidades ambientalistas foram jogados ao
lixo por interesses de uma minoria sem visão e comprometimento com o futuro das próximas gerações da nossa querida região. Resta-nos a mobilização política.Nossa vingança estará nas urnas, pois sabemos das ambições tanto do Bruno Covas, quanto do João Cury. Por favor divulguem, nossa arma é desmascarar esses políticos e seus reais interesses!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CONSEMA: Queremos a aprovação na íntegra do Plano de Manejo da APA Botucatu!

Petição: http://www.avaaz.org/po/petition/CONSEMA_Conselho_Estadual_do_Meio_Ambiente_SP_Aprovacao_na_integra_do_Plano_de_Manejo_da_APA_Botucatu/?cmSNKab

CONSEMA – Conselho Estadual do Meio Ambiente – SP: Aprovação na íntegra do Plano de Manejo da APA Botucatu.

Por que isto é importante

O Plano de Manejo da APA Botucatu é um documento técnico elaborado com ampla participação da sociedade representada por ONGs, poder público, iniciativa privada, sindicatos, conselhos de classes, membros da academia e lideranças regionais.

Este Plano define o zoneamento ambiental de 9 municípios com norma e diretrizes de uso e ocupação dos solos e os programas de ação visando a proteção dos atributos ambientais e o desenvolvimento das atividades produtivas.

O Perímetro Botucatu abrange parte do território dos Municípios de Angatuba, Avaré, Bofete, Botucatu, Guareí, Itatinga, Pardinho, São Manuel e Torre de Pedra ocupando uma área total de 218.306 ha.

O objetivo da criação desta categoria de Unidade de Conservação é conciliar Proteção e Desenvolvimento, assim sendo, a APA Botucatu é destinada a proteger as Cuestas Basálticas e os Morros Testemunhos, as áreas de recarga do Aqüífero Guarani e as águas superficiais, a vegetação natural, onde encontram-se importantes remanescentes da Mata Atlântica e do Cerrado, que abrigam riquíssima fauna.

Além do grande patrimônio natural, destaca-se ainda um dos mais importantes sítios arqueológicos do Estado de São Paulo, o Abrigo Sarandi, situado no município de Guareí com registros pré-históricos com cerca de seis mil anos.

A sociedade clama pela aprovação do Plano de Manejo para garantir:

- A Conservação integral de fragmentos florestais e de savana
- A recuperação de APPs hídricas;
- A Proibição de pulverização aérea na área das bacias de captação de água para abastecimento público,
- A Restrição ao uso de agrotóxicos - classe Toxicológica I e II;
- A área livre de OGM.