domingo, 18 de agosto de 2013

O círculo vicioso dos transgênicos leva ao êxodo rural

 "A agricultura brasileira se vê diante da ampliação de custos produtivos e percebe uma alteração no tamanho mínimo viável para lavouras tecnificadas de milho, soja e algodão. Com isso, pequenos estabelecimentos se tornam inviáveis, o que resulta em aceleração da exclusão de pequenos produtores. Isso significa que, na prática, a transgenia tem acelerado uma espécie de reforma agrária às avessas no rural brasileiro. A expansão das lavouras transgênicas também acelera a simplificação das matrizes produtivas regionais.”
“Ao reduzir o número de produtores e o leque de produtos ofertados, a expansão da monocultura e o avanço das lavouras transgênicas provocam um círculo vicioso, que amplia as dificuldades de permanência das famílias no campo. Perceba: exigindo economia de escala e sendo deletéria para a agricultura familiar, esta tecnologia leva à redução da população rural e acaba inviabilizando a prestação de serviços que são fundamentais para a vida no campo. As escolas, os postos de saúde, as linhas de coleta de leite se tornam inviáveis quando a população se faz rarefeita. Então, é possível afirmar que a expansão dos transgênicos se associa à tendência de fragilização do tecido social necessário para a permanência do homem no campo. Além de reforçar o esvaziamento do campo e refrear o avanço de políticas que apostam em processos de desenvolvimento rural, “com gente”, a transgenia ameaça a qualidade de vida dos que permanecem no campo, ampliando o volume de agrotóxicos utilizados. Tanto é que o Brasil se tornou o país que mais usa agrotóxicos no mundo. Para o agronegócio não é ruim: sugere um maior volume de negócios, permitindo mapear uma expansão do PIB e da contribuição do setor para a economia nacional.”

Leia a entrevista na íntegra pois vale muito à pena!

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/520591-a-transgenia-esta-mudando-para-pior-a-realidade-agricola-brasileira-entrevista-especial-com-leonardo-melgarejo


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Agrotóxicos têm venda proibida no RS

Decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, suspende a comercialização, no Rio Grande do Sul, de três produtos agrotóxicos, baseados nas substâncias paraquat e trifenil hidróxido de estanho, que tiveram cadastro negado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental do estado (Fepam). A decisão, tomada nos autos da Suspensão de Liminar (SL) 683, vale até o julgamento de mérito de um mandado de segurança (MS) impetrado no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) para discutir a questão.

A empresa que teve o pedido de cadastramento negado impetrou mandado de segurança no TJ-RS para questionar a decisão da Fepam, que indeferiu seu pleito. A fundação se baseou em normas estaduais – entre elas a Lei 7.747/1982 (RS) – segundo as quais a licença estaria condicionada à comprovação de que o uso dos produtos é autorizado nos seus países de origem. Para a empresa, essas normas seriam inconstitucionais, por invadirem matéria de competência privativa da União para legislar sobre comércio exterior e interestadual, conforme prevê o artigo 22, inciso VIII, da Constituição Federal. Alegou, também, que a decisão da Fepam feriu os princípios do contraditório e da ampla defesa.

O juiz de primeiro grau negou o pedido de liminar no MS, mas essa decisão foi cassada pela 21ª Câmara Cível do TJ-RS que, ao julgar agravo de instrumento interposto contra essa decisão, considerou ter havido, no caso, a alegada ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa.

O MP-RS interpôs Recurso Extraordinário contra essa decisão e, ao mesmo tempo, ingressou com a SL 683 no Supremo, por considerar que haveria manifesta e flagrante lesão à ordem jurídica, política e social.

Segundo o MP-RS, ao cassar a decisão do juiz de primeiro grau e liberar o cadastro e comercialização dos produtos, o TJ-RS sustentou que a legislação estadual inclui uma exigência não contida na legislação federal que rege o tema, a Lei federal 7.802/89, que prevê que os fornecedores de agrotóxicos estão obrigados a registrar os produtos nos órgãos competentes. Segundo o TJ, a lei federal não exige a comprovação de liberação do uso no país de origem.

Para o MP, contudo, a condição contida na legislação estadual tem o claro propósito de ampliar a proteção ao meio ambiente e à saúde pública, consoante o que pretende a legislação federal e o que determina a Constituição Federal de 1988.

Toxicidade

Em termos técnicos, o MP gaúcho revela que o parecer da Fepam aponta que os produtos que contêm a substância “paraquet” superariam os níveis aceitáveis para a saúde dos trabalhadores, mesmo com a utilização de equipamentos de proteção individual. Seus efeitos seriam irreversíveis, não havendo antídotos que possam combater a intoxicação por ele causada.

Já a substância trifenil hidróxido de estanho foi banida da União Europeia por força de decisão da Comissão da Comunidade Europeia, datada de junho de 2002, revelou o MP. De acordo com o parecer da Fepam, o trifenil seria extremamente tóxico à vida marinha e aos pássaros, apresentando marcante neurotoxicidade e imunotoxicidade.

Com esses argumentos, o MP pediu ao STF a suspensão imediata da decisão da 21ª Câmara Cível do RS, que liberou a comercialização dos produtos questionados.

Ao analisar o pedido, o presidente do STF lembrou que no julgamento do RE 286789, a Segunda Turma do STF afirmou a recepção da Lei estadual 7.747/1982 pela Constituição. Mas, para o ministro Joaquim Barbosa, a discussão no sentido de a recepção da norma incluir ou não a possibilidade de vedar a comercialização do produto no território estadual é matéria que deve ser alvo de indagação no momento oportuno, na análise do recurso extraordinário interposto.

Ao deferir o pedido de suspensão de liminar, o ministro disse entender que deve prevalecer a atuação estatal, em atenção ao princípio da precaução, uma vez que, neste momento, está suficientemente demonstrada a existência de risco à saúde e ao meio ambiente. Com isso, a decisão questionada, que liberou a comercialização dos produtos, fica suspensa até o julgamento de mérito do mandado de segurança em curso no TJ-RS.

MB/AD


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Agronegócio, um modelo esgotado

Fonte http://www.brasildefato.com.br/node/15564#.UgFDnb8p8TM.facebook

Vandana Shiva, cientista indiana mundialmente conhecida, falou sobre as consequências da chamada Revolução Verde e denunciou o controle das transnacionais na abertura do III Encontro Internacional de Agroecologia, em Botucatu, interior de São Paulo

Perante uma atenta plateia composta por mais de 3 mil pessoas, a renomada cientista indiana Vandana Shiva fez uma palestra de uma hora, respondeu a perguntas e encantou a todos com suas ideias, experiências e convicções, durante a abertura do III Encontro Internacional de Agroecologia, no dia 31 de julho, na cidade de Botucatu, interior de São Paulo.

Vandana foi muito contundente ao longo de toda a sua fala. Começou contando de sua vida, de como havia estudado biologia e física quântica na universidade e de como se considerava uma pessoa alienada da realidade do mundo.

Esclareceu que o choque que a fez despertar foi um grave acidente ocorrido, 30 anos atrás, numa fábrica de pesticidas – que resultou numa tragédia, com a morte de mais de 35 mil indianos. A partir daí, é que ela acaba se convertendo à causa do povo e não para mais de pesquisar a ação das empresas transnacionais sobre a agricultura.

Hoje, ela é considerada uma das principais pesquisadoras dos malefícios para a saúde humana e para a destruição da biodiversidade que as sementes transgênicas e os agrotóxicos das empresas transnacionais vêm causando em todo o mundo.

Vandana falou sobre as consequências da chamada Revolução Verde, imposta pelo governo dos Estados Unidos, na década de 1960, a toda a sua área de influência como forma de vender mais insumos agroquímicos e suas mercadorias agrícolas.

O resultado disso – o de subjugar países e camponeses – pode ser visto hoje, já que 65% de toda a biodiversidade e dos recursos de água doce do planeta foram contaminados por agrotóxicos.

Além disso, há estudos comprovando que 40% de todo o efeito estufa que afeta o clima no planeta é causado pelo uso exagerado, desnecessário, de fertilizantes químicos na agricultura. Chegou a dizer, inclusive, que em muitas regiões da Europa, em função da mortandade e desaparecimento das abelhas, a produtividade agrícola já teria caído 30%.

A indiana atentou para o fato de que se fôssemos calcular os prejuízos e custos necessários para repor a biodiversidade e reequilibrar o meio ambiente com vistas a amenizar os desequilíbrios climáticos, eles seriam maiores, em dólares, do que todo o comércio de commodities que as empresas realizam.

Em relação à ação das empresas transnacionais que atuam na agricultura – como Monsanto, Bunge, Syngenta e Cargill – também não poupou críticas. Denunciou que elas controlam a produção e o comércio mundial da soja, milho, canola e trigo. E que fazem propaganda enganosa dizendo que a humanidade depende dos alimentos produzidos pelo agronegócio para sobreviver, quando na prática a humanidade se alimenta com centenas de outros vegetais e fontes de proteínas, que elas ainda não puderam controlar.

Disse que essas “empresas, ao promoverem as sementes transgênicas, não inventaram nada de novo. Não desenvolveram nada. O único que fizeram foi fazer mutações genéticas que existem na natureza para viabilizar a venda de seus agrotóxicos”.

Citou que a Monsanto conseguiu controlar a produção de algodão na Índia, apoiada por governos subservientes, neoliberais, e que hoje 90% da produção depende de suas sementes e venenos. Com isso houve uma destruição do modo camponês de produzir algodão e um endividamento dos que permaneceram.

A conjunção do alto uso de venenos intoxicantes que levam à depressão e a vergonha da dívida fez com que, desde 1995 até os dias de hoje, houvesse 284 mil suicídios entre os camponeses indianos. Um verdadeiro genocídio escondido pela imprensa mundial e cuja culpada principal seria a Monsanto.

Apesar de tantos sacrifícios humanos, a Monsanto ainda recolhe em seu país 200 milhões de dólares anuais, cobrando royalties pelo uso de sementes geneticamente modificadas de algodão.

O modelo do agronegócio é apenas uma forma de se apropriar do lucro dos bens agrícolas, mas ele não resolve os problemas do povo. Tanto é que aumentamos muito a produção, poderíamos inclusive abastecer 12 bilhões de pessoas [quase o dobro da população mundial], mas, no entanto, temos 1 bilhão de pessoas que passam fome todos os dias, sendo 500 milhões delas camponesas que vivem no meio rural e que tiveram seu sistema de produção de alimentos destruído pelo agronegócio.

As commodities agrícolas são meras mercadorias agrícolas, não são alimentos. Cerca de 70% de todos os alimentos do mundo ainda são produzidos pelos camponeses.

É preciso entender que alimentos são a síntese da energia necessária que os seres humanos precisam para sobreviver, a partir do meio ambiente em que vivem, recolhendo essa energia d a fertilidade do solo e do meio ambiente.

Quanto maior a biodiversidade da natureza, maior o número de nutrientes e mais sadia será a alimentação produzida naquela região para os humanos. E o agronegócio destrói a biodiversidade e as fontes de energia verdadeiras.

As empresas lançam mão de um fetiche gerado pela propaganda, de que estão usando modernas técnicas de biotecnologia para aumentar a produtividade das plantas, mas isso é um engodo. Quando se vai pesquisar o que são tais biotecnologias, elas são guardadas em segredo. Porque, no fundo, elas não mudam nada na natureza. São apenas mecanismos para aumentar a rentabilidade econômica das grandes plantações.

Na verdade, a agricultura industrial é a padronização do conhecimento, é a negação do conhecimento sobre a arte de cultivar a terra. Porque o verdadeiro conhecimento é desenvolvido pelos próprios agricultores, e pelos pesquisadores, em cada região, em cada bioma, em cada planta.

O modelo do agronegócio quer transformar as pessoas apenas em “consumidores” de suas mercadorias. Vandana nos diz que devemos combater o uso e o reducionismo da expressão “consumidores”, que devemos usar o termo “seres humanos”, pessoas que precisam de uma vida saudável. “Consumidor” indica uma redução subalterna do ser humano.

As empresas do agronegócio dizem que são o desenvolvimento e o progresso. Na prática, chegam a controlar 58% de toda produção agrícola do mundo, porém, dão trabalho para apenas 3% das pessoas que vivem no meio rural. Portanto, o agronegócio é um sistema antissocial.

A indiana revelou ainda que fez parte de um grupo de 300 cientistas de todo mundo que se dedicam a pesquisar a agricultura e que após realizarem diversos estudos, durante três anos, comprovaram que nem a Revolução Verde imposta pelos Estados Unidos, nem o uso intensivo das sementes transgênicas e dos agroquímicos podem resolver os problemas da agricultura e da alimentação mundial. Algo que só pode acontecer por meio da recuperação de práticas agroecológicas que convivam com a biodiversidade, em cada local do planeta.

Vandana concluiu sua crítica ao modelo do agronegócio dizendo que ele projeta a destruição e o medo, porque é concentrador e excludente. Por isso, tornou-se algo comum o costume dessas empresas ameaçarem ou cooptarem os cientistas que se opõe a elas.

Após criticar duramente o modelo do capital, a cientista dedicou sua palestra a projetar as técnicas ou o modelo de produção da agroecologia como a alternativa popular e necessária para produção de alimentos.

Defendeu que o modelo da agroecologia é o único que permite desenvolver técnicas de aumentar a produtividade e a produção sem a destruição da biodiversidade.

Que a agroecologia é a única forma de criar empregos e formas de vida saudáveis para a população permanecer no campo e não ter de se marginalizar nas grandes cidades. Sobretudo, fez a defesa de que os métodos da agroecologia são os únicos que conseguem produzir alimentos sadios, sem venenos.

Quando perguntada sobre as dificuldades da transição entre os dois modelos, contestou, citando a Índia: “Nós já tivemos problemas maiores na época do colonialismo inglês. No entanto, Gandhi nos ensinou que a nossa fortaleza é sempre ‘lutar pela verdade’, porque o capital engana e mente para poder acumular riquezas. Mas a verdade está com a natureza, está com as pessoas”.

Dessa energia que emana de Gandhi, Vandana reforçou: “Se houver vontade política para fazer a mudança, se houver vontade para produzir alimentos sadios, será possível cultivá-los”.

Vandana concluiu conclamando a todos a se envolverem e participarem do Encontro Mundial de Luta Pelos Alimentos Sadios e Contras as Empresas Transnacionais que a Via Campesina, os movimentos de mulheres e centenas de entidades realizam todos os anos, na semana de 16 de outubro. “Precisamos unificar as vozes e as vontades em nível mundial. E essa será uma ótima oportunidade.”

Quando perguntada sobre as recomendações que daria aos jovens, aos estudantes de agronomia, aos agricultores praticantes da agroecologia, Vandana Shiva elencou seis pontos:

Primeiro: disse que a base da agroecologia é a preservação e a valorização dos nutrientes que há no solo. Neste instante, a indiana fez referência a outra cientista presente na plateia que a assistia muito atenta, a professora Ana Maria Primavesi. “Precisamos ir aplicando as técnicas que garantam a saúde do solo, e dessa saúde, recolheremos frutos com energia saudável.”

Segundo: estimular que os agricultores controlem as sementes. As sementes são a garantia da vida. “Nós não podemos permitir que as empresas transnacionais transformem nossas sementes em meras mercadorias. As sementes são um patrimônio da humanidade.”

Terceiro: precisamos relacionar a agroecologia com a produção de alimentos saudáveis que garantam a saúde e assim conquistar os corações e mentes da população da cidade, que está sendo cada vez mais envenenada pelas mercadorias com agrotóxicos. “Se vincularmos os alimentos com a saúde das pessoas, ganharemos milhões de pessoas da cidade para a nossa causa.”

Quarto: precisamos transformar os territórios em que os camponeses têm hegemonia em verdadeiros santuários de sementes, de árvores sadias, de cultivo da biodiversidade, da criação de abelhas, da diversidade agrícola.

Quinto: precisamos defender a ideia que faz parte da democracia, a liberdade das pessoas de terem opções de alimentos. Elas não podem mais serem reféns dos produtos que as empresas colocam nos supermercados de acordo com a sua vontade apenas.

Sexto: precisamos lutar para que os governos parem de usar dinheiro público – que é de todo o povo – para subsidiar, transferir esses recursos para os fazendeiros. Isso vem acontecendo em todo o mundo e também na Índia. O modelo do agronegócio não se sustenta sem os subsídios e vantagens fiscais que os governos lhes garantem.

III Encontro Internacional de Agroecologia realizado em Botucatu

FONTE: http://www.fca.unesp.br/#!/noticia/901/iii-eia-reune-mais-de-2-mil-participantes/

Mais de duas mil pessoas, entre pesquisadores, estudantes e agricultores participaram do III Encontro Internacional de Agroecologia realizado em Botucatu, de 31 de julho a 30 de agosto. O tema desta edição foi “Redes para a transição agroecológica na América Latina”.

O evento, realizado pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) e Instituto Giramundo Mutuando, contou com alguns dos maiores nomes da área, como a ativista indiana Vandana Shiva; Miguel Altieri, pesquisador da Universidade de Berkeley/Califórnia e coordenador da Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia; Eduardo Sevilla Guzmán, catedrático do Instituto de Sociologia e Estudos Campesinos da Universidade de Córdoba; Victor Manuel Toledo, pesquisador reconhecido no debate mundial sobre agrobiodiversidade e conhecimento popular.

A extensa programação teve palestras, debates, mais de quarenta oficinas, apresentações artísticas e a Feira de Saberes e Sabores com divulgação de políticas públicas de apoio e incentivo à agricultura familiar, venda de alimentos provenientes da agricultura familiar e orgânica, distribuição de mudas e praça de alimentação. Cerca de 320 trabalhos foram apresentados na forma de pôster.

“A agroecologia é um campo do conhecimento que oferece uma estratégia metodológica para sairmos de um paradigma altamente poluente e excludente do ponto de vista social, para um outro que leva a um desenvolvimento realmente sustentável”, explica a professora Maristela Simões do Carmo, do Departamento de Economia, Sociologia e Tecnologia da FCA. “Esse desenvolvimento é multidimensional, ou seja, não é apenas o aspecto econômico que importa, mas também o social, o cultural, o ético e o político. O evento foi um sucesso, pois conseguiu abarcar discussões sobre todas essas questões”.

Vários docentes do Departamento de Economia, Sociologia e Tecnologia e do Departamento de Horticultura da FCA participaram da organização e integraram mesas redondas. Muitos alunos trabalharam voluntariamente durante o evento. A Faculdade ofereceu ainda oficinas sobre Agrofloresta, Cogumelos Comestíveis, Cultivo Orgânico de Plantas Medicinais, Homeo patia na Agricultura, Manejo Ecológico Integrado de Pragas, Irrigação de Baixo Custo, Pagamento por Serviços Ambientais. “É um tema novo, não são todas as faculdades de ciências agrárias que estão abertas para essa discussão”, analisa a professora Maristela. “Acho que a FCA está se mostrando aberta ao conhecimento ao acolher esse tema, que está construção e precisa integrar a sociedade civil a esse processo”.

Abertura e homenagem

A solenidade de abertura do III Encontro Internacional de Agroecologia aconteceu no Ginásio do Colégio Santa Marcelina e foi presidida pela professora Maristela. Participaram da mesa de abertura do evento: professor Carlos Frederico Wilcken, vice-diretor da FCA; professora Renata Cristina Batista Fonseca, diretora da Fepaf; professor Antonio Luis Caldas Junior, vice-prefeito de Botucatu; Paulo Peterson, da Articulação Nacional em Agroecologia (ANA); o professor Miguel Altieri; Maria Noel Salgado, do Movimento Agroecológico Latinoamericano; Pedro Guzmán, da Coalicion de los Pueblos por la Soberanía Alimentaria e João Pedro Stédile, representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O representante do Instituto Giramundo, Rodrigo Machado Moreira, citou o crescimento do evento em relação às edições anteriores e falou sobre a importância da escolha do tema central das atividades. “Não existem soluções simples para problemas complexos, por isso a escolha do tema redes para a transição agroecológica que, cada vez mais, se revela como uma estratégia de múltiplas dimensões. O que nos anima é que a sociedade reage a todas as formas de opressão. E dessa reação surgem as redes de ação social produtiva. Dessa reação brota a esperança de que podemos mudar a situação em que vivemos”.

No momento de maior emoção da solenidade, o organização do III EIA homenageou a professora Ana Primavesi, considerada uma das pioneiras da agroecologia no país. Aos 93 anos, a agrônoma austríaca que adotou o Brasil como seu lar em 1949, compareceu ao evento e foi aplaudida em pé pelo público que lotava o Ginásio. Responsável pela formação de pelo menos três gerações de profissionais das ciências agrárias, a professora sempre difundiu o princípio básico de adequar a produção agrícola ao respeito a cada agroecossistema.

No primeiro dia do evento foram realizadas algumas das palestras mais concorridas do III EIA. O economista João Pedro Stédile, representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) falou sobre o ‘Campesinato Agroecológico e os Desafios e Possibilidades da Via Campesina’. Crítico ferrenho do agronegócio, Stédile afirmou que esse modelo não produz alimentos e sim mercadorias. “Sua característica é impor o monocultivo como a condição de buscar a rentabilidade econômica máxima. O agronegócio não convive com a agricultura diversificada”. Para o ele, a adoção de sementes transgênicas padronizadas tem apenas o objetivo de vender um pacote tecnológico que torna os produtores dependentes. “Ela é apenas a forma jurídica de criar a propriedade privada das sementes”.

Segundo o palestrante, a agricultura foi tomada por uma nova etapa da aliança entre o grande proprietário rural, os bancos, as empresas transnacionais que controlam toda a cadeia de insumos e o mercado mundial agrícola. Para ele, o novo ator no processo é a mídia. “Os empresários da mídia burguesa cumprem o papel de convencer a sociedade de que o modelo do agronegócio é o único possível. Nunca o povo brasileiro financiou tanto os negócios agrícolas e, no entanto, para o senso comum, é como se o agronegócio salvasse os brasileiros”.

Para o representante do MST, o modelo do agronegócio carrega muitas contradições, como a destruição da biodiversidade pelo uso intenso de agrotóxicos, a dependência de insumos agroquímicos importados, o risco à soberania em razão do domínio das empresas transnacionais, a concentração de terra e produção. “No Brasil, 85% das terras agricultáveis se dedicam a soja, milho, cana e pasto. A sociedade brasileira está reduzida e três produtos e por isso estamos importando batata, leite e feijão, por exemplo. E há ainda a contradição fundamental do modelo, que é propor uma agricultura feita sem agricultores. Queremos reorganizar o território da produção agrícola sobre outros pilares, com a soberania dos agricultores, produzindo alimentos para todos, com técnicas de plantio que estejam em equilíbrio com a natureza”.

Por fim, Stédile encerrou sua fala afirmando que o agronegócio é incompatível com a agroecologia e que os dois modelos não podem coexistir. “A questão não é o tamanho das propriedades. Numa sociedade pode-se conviver vários tamanhos diferentes de unidades de produção. A questão é que são duas propostas muito diferentes de uso da natureza: uma visa gerar lucro e a outra, alimentos e vida. As duas são incompatíveis”.

A ativista indiana Vandana Shiva começou sua palestra contando como deixou de lado sua formação como física e começou a atuar como líder ambiental. Desde 1983, ela dedica-se às causas ecológicas e à agroecologia. Ela reafirmou sua defesa da agricultura familiar. “De acordo com a ONU, 70% dos alimentos são produzidos pela agricultura familiar. É uma burrice expulsar as pessoas do campo para produção de combustíveis e mercadorias agrícolas que não servem para alimentar a população”.

Vandana também reafirmou que a grande mídia é uma aliada importante do modelo do agronegócio. “A maioria dos problemas ambientais do mundo, como o fim da biodiversidade e os solos degradados ou desertificados, são causados pelo uso de um modelo equivocado de agricultura e isso não aparece na mídia. O agronegócio protege seus mitos”.

Sobre as sementes transgênicas, ela afirmou “Querem transformar sementes em produtos, quando tudo sempre esteve à disposição dos agricultores. Isso é biopirataria”, explica. “A única razão para isso é permitir que as empresas coletem royalties. Se não conservarmos nossas sementes e pudermos usá-las não teremos alimentos, porque o agronegócio só produz commodities. Comida de verdade deve ter qualidade, deve nutrir, ter sabor e deve permitir que o sistema alimentar se propague”.

Para a ativista, preservar as sementes é um dever ecológico, ético e social de todos. “Deveria ser obrigação dos governos cuidar de sua biodiversidade. Temos que colocar toda nossa energia para ficarmos livres desse controle criminoso do sistema alimentar”.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

sábado, 3 de agosto de 2013

Pesticidas são o mais provável agente da morte massiva das abelhas

Os cientistas americanos tinham dificuldade em encontrar o gatilho para a chamada Colony Collapse Disorder (CCD), (Desordem do Colapso das Colônias, em inglês), que dizimou cerca de 10 milhões de colmeias do país, no valor de US $ 2 bilhões, nos últimos seis anos. Os suspeitos incluem agrotóxicos, parasitas transmissores de doenças e má nutrição. Mas, em um estudo inédito publicado na revista PLoS ONE, os cientistas da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos EUA identificaram um caldeirão de pesticidas e fungicidas contaminando o pólen recolhido pelas abelhas para alimentarem suas colmeias. Os resultados abrem novos caminhos para sabermos porque um grande número de abelhas está morrendo e a causa específica da DCC, que mata a colmeia inteira simultaneamente.
...
"Há evidências crescentes de que os fungicidas podem estar afetando as abelhas diretamente e eu acho que fica evidente a necessidade de reavaliarmos a forma como rotulamos esses produtos químicos agrícolas", disse Dennis vanEngelsdorp, autor principal do estudo.
"A questão dos agrotóxicos em si é muito mais complexa do acreditávamos ser", diz ele. "É muito mais complicado do que apenas um produto, significando naturalmente que a solução não está em apenas proibir uma classe de produtos."
O estudo descobriu outra complicação nos esforços para salvar as abelhas: as abelhas norte-americanas, que são descendentes de abelhas europeias, não trazem para casa o pólen das culturas nativas norte-americanas, mas coletam de ervas daninhas e flores silvestres próximas. O pólen dessas plantas, no entanto, também estava contaminado com pesticidas, mesmo não sendo alvo de pulverização.

"Não está claro se os pesticidas estão se dispersando sobre essas plantas, mas precisamos ter um novo olhar sobre as práticas de pulverização agrícola", diz vanEngelsdorp.

http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0070182#authcontrib

Fonte

O Mito da Produtividade dos OGMs

Leia o artigo (em inglês) na íntegra clicando AQUI.

A modificação genética na verdade reduz a produtividade das culturas! Estudo demonstra essa assertiva, minando repetidas declarações de que os organismos genéticamente modificados (OGMs) são necessários para resolver a crescente crise alimentar mundial.

O estudo - realizado ao longo dos últimos três anos na Universidade de Kansas, descobriu que a soja transgênica produz cerca de 10 por cento menos comida do que seu equivalente convencional, contradizendo as afirmações dos defensores da tecnologia que aumenta a produtividade.

Professor Barney Gordon, do departamento de agronomia da universidade, disse que começou a pesquisa porque muitos agricultores que tinham mudado para o cultivo OGM tinham "notado que os rendimentos não são tão elevados como eles esperavam, mesmo em condições ideais ". Ele acrescentou: "As pessoas estavam fazendo a pergunta" como é que eu não conseguir um rendimento tão alto como eu costumava ter antes de usar sementes OGMs? '"

Ele plantou a soja OGM Monsanto e uma variedade convencional quase idêntica no mesmo campo.A cultura genéticamente modificada produziu menos que a convencional na razão de 70 para 77.

Uma situação semelhante parece ter acontecido com algodão OGM em os EUA, onde o total da safra EUA diminuiu após a introdução da tecnologia OGM assumiu. (Veja o gráfico acima).

A conclusão dos estudos da "Avaliação Internacional da Ciência e Tecnologia Agrícola para o Desenvolvimento" foi que as OGMs não eram a resposta para a fome no mundo.

O Professor Bob Watson, diretor do estudo e cientista-chefe do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais, quando perguntado se as OGMs poderiam resolver a fome no mundo, disse: "A resposta é simplesmente não!"

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Correndo contra o tempo!



No III Encontro Internacional de Agroecologia, que está acontecendo agora em Botucatu (SP), Vandana Shiva em mesa redonda compartilhada com João Pedro Stedille, alerta para o perigo de em 10 anos os solos agriculturáveis do mundo inteiro estarem irremediavelmente contaminados. maracutaia dos royalties que está por trás das sementes OGMs também foi claramente desmascarada pelos dois renomados palestrantes.O Blog da APA Botucatu esteve presente e pode constatar a força jovem do movimento Agroecológico na America Latina presente a esse bem sucedido encontro.
Saiba mais sobre Vandana Shiva clicando AQUI. E  uma entrevista com ela clicando AQUI.
Saiba mais sobre João Pedro Stedille clicando AQUI.
http://www.fca.unesp.br/#!/noticia/901/iii-eia-reune-mais-de-2-mil-participantes/