sábado, 12 de abril de 2014

O milho nosso de cada dia



Estamos no final das deliciosas e tradicionais festas do milho da região. Além das delícias gastronômicas, essas festas evocam nossa cultura caipira, tão rica e importante e também as tradições religiosas e a vida em comunidade.
Mas, será que todos repararam no sabor das pamonhas, dos curaus, do milho verde com manteiga? Saborosos como nos anos anteriores? Um pouquinho diferente, talvez?
Se não foi perceptível no sabor, a diferença foi bem acentuada para o meio ambiente da nossa região, nos campos onde, pelo menos uma parte desses milhos foi cultivada.
Isso porque, desde 2007 existem no mercado sementes de milho chamadas de transgênicas, isto é, sementes geneticamente modificadas em laboratórios para serem tolerantes a herbicidas. Ou ainda sementes com a tecnologia Bt, no qual foram introduzidos genes específicos de uma bactéria de solo que fazem com que a planta produza uma proteína tóxica para alguns grupos de insetos, para que a planta resista ao ataque de lagartas.
O agricultor que planta o milho transgênico adquire o agrotóxico e as sementes de uma mesma empresa e ainda paga royalties pelo uso das mesmas.  De acordo com a propaganda, os transgênicos trariam aos agricultores maior produtividade. Porém isso nem sempre acontece...
O que se observa ao longo destes anos é que os insetos que normalmente atacam a cultura e as plantas invasoras adquirem resistência e então é necessário o uso de quantidades cada vez maiores de inseticidas e herbicidas. E normalmente o agricultor tem perda de parte da colheita.

O uso desses agroquímicos (inseticidas, herbicidas, etc.) causa cada vez maiores impactos à saúde humana e ambiental. Por exemplo, está para ser liberado no mercado um herbicida que tem como princípio ativo o “2,4 D”, também conhecido como “agente laranja”. Este produto foi utilizado pelos EUA na guerra do Vietnã para desfolhar as florestas tropicais daquele país, revelando a localização dos soldados inimigos que lá estavam escondidos. O “2,4D”, quase uma arma de guerra, em breve chegará às nossas mesas, através da soja e do milho geneticamente modificados. 
O Brasil vem registrando um aumento expressivo no uso de veneno para lavoura, também chamados de “defensivos agrícolas”, e já somos o maior consumidor mundial desses produtos. O mercado brasileiro gera com isso, bilhões de dólares de lucro para as multinacionais do setor de agroquímicos, enquanto ficamos com o prejuízo da contaminação progressiva de trabalhadores rurais, de animais silvestres, dos nossos solos, rios, córregos, peixes, entre outros. Estudos já apontam a contaminação até das águas subterrâneas, como é o caso do Aquífero Guarani, presente na nossa região e um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do mundo. Enquanto as multinacionais do agroquímico se beneficiam com a venda desses produtos, o prejuízo é dividido entre todos os cidadãos brasileiros.
Mas, voltando ao nosso assunto inicial, a comercialização das sementes dos milhos transgênicos foi aprovada pela Comissão Nacional de Biossegurança / CTNBio, um órgão do Governo Federal. Imagina-se, dessa forma que a aprovação oficial fosse baseada em estudos científicos consistentes que garantissem a segurança ambiental e da população.
Mas, na verdade, os testes de avaliação que a CTNBio utiliza para aprovar um produto são, principalmente, análises técnicas dos aspectos agronômicos, por exemplo, avaliam a adaptação das sementes a um determinado ambiente, avaliam o  aumento da produtividade, etc..
Já os testes para avaliação dos impactos de transgênicos ou OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) na saúde humana e no ambiente (fauna, água,solo, etc.) além de pouco considerados, apresentam outro aspecto bastante preocupante: o prazo. A CTNBio considera válidos dados de ensaios técnicos feitos em prazos curtos, com avaliações de, no máximo, 45 dias.
Agora vejam: no ano passado, pesquisadores franceses divulgaram o resultado bombástico, de uma pesquisa bastante simples. Os cientistas alimentaram ratos de laboratório com milho transgênico por 2 anos. Depois de cinquenta dias começaram a aparecer mal - formações e muitas mortes. Houve crescimento excessivo das glândulas mamárias, problemas nos rins e fígado. Aqui no Brasil, esse mesmo milho é, no entanto, comercializado livremente e consumido pela população, talvez até para preparar a pamonha e o curau das nossas tradicionais festas do milho.
Muitos produtores de grãos do Brasil já perceberam que plantar milho e soja transgênicos nem sempre é um bom negócio. A Associação Brasileira dos Produtores de Grãos NãoGeneticamente Modificados (Brazilian Association of Non Genetically Modified Grain Producers)/ ABRANGE); que tem como associados grandes empresas como o Grupo André Maggi, a Brejeiro, a Caramuru Alimentos S/A; vem ampliando sua produção e exportação de grãos já que a China, Rússia e vários países da Europa proíbem a entrada de soja e milho transgênicos. O mercado mundial tem uma demanda crescente por produtos não transgênicos e os preços pagos são significativamente maiores do que o valor dos grãos transgênicos.
Hoje em dia, o produtor rural que optar por plantar o bom e velho milho crioulo - não transgênico e não híbrido - tem muita dificuldade em encontrar sementes. O milho cateto, o milho cunha, milho palha roxa, e tantos outros que os agricultores da região conhecem bem, estão desaparecendo, pois as sementes estão acabando.  Pelo menos aqui em São Paulo contamos o bom trabalho do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da CATI, da Secretaria Estadual de Agricultura produzindo variedades de milho não transgênicos adaptados ao nosso clima. Mas, mesmo se o produtor conseguir estas sementes corre o risco de ter sua plantação contaminada pelo milho transgênico que um vizinho plantou, já que o pólen do milho se espalha pelo vento. A CTNBio diz que apenas 100 m de borda de proteção é suficiente para milhos diferentes não se contaminarem. Imagine com os ventos aqui em Botucatu ...
Então, já temos uma suspeita sobre a diferença do sabor dos quitutes da festa do milho.
É por estas e outras que, esses novos modelos de produção de grãos como o milho, a soja e o feijão e quaisquer outros organismos geneticamente modificados devem ser repensados com muita cautela e responsabilidade.
Dr. Pedro Jovchelevich
 pedro.jov@biodinamica.org.br


Engenheiro Agrônomo – Coordenador da Associação Biodinâmica de Botucatu

sexta-feira, 28 de março de 2014

Gestão sustentável das Águas do Aquífero Guarani

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Santa Catarina e a contaminação do Aquífero


aqüífero Guarani talvez seja o único que apresenta água a até 2 mil metros de profundidade com baixas taxas de salinidade, próprias para o consumo humano. Nesse caso, a contaminação pode afetá-lo de forma indireta: o risco vem da poluição do aqüífero Serra Geral, que recobre o Guarani e apresenta espessuras que vão de 500 a 1500 metros. O Serra Geral tem 1,2 milhão de km e abrange o oeste dos três estados do Sul e de São Paulo, além de partes de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul.
O quadro foi descrito na dissertação de mestrado defendida por Cícero Almeida no Departamento de Geografia da UFSC em 2004(!). De acordo com o estudo, o nível da água do aqüífero Serra Geral teria aumentado após o enchimento dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Itá e Machadinho, em Santa Catarina.
O aumento de nível teria tornado esse aqüífero mais vulnerável às infiltrações de agrotóxicos e dejetos animais presentes nos rios da região e nas próprias barragens. A poluição é decorrente sobretudo da prática da suinocultura concentrada e da agricultura extensiva,sobretudo de soja e milho.
A água se acumula nos poros da rocha arenítica do aqüífero Guarani ou nas inúmeras fissuras das rochas vulcânicas do Serra Geral. Um grande número de falhas e fraturas profundas corta esses dois sistemas. Isso os coloca em contato e potencializa o risco de que substâncias nocivas ao homem e ao meio ambiente passem de um para o outro.
contaminação foi verificada a partir da análise de amostras retiradas de poços profundos no aqüífero Serra Geral, onde se constatou a presença de fosfatos e nitratos, relacionados à suinocultura (substâncias presentes nas fezes e urina dos porcos) e ao uso deadubos nas lavouras.
Luiz Fernando Scheibe, professor do departamento de geociências da UFSC e orientador do trabalho, afirma que "a contaminação ainda (2004!) não atingiu um nível que impeça o consumo, de acordo com as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que regula os percentuais de poluição dos rios. No entanto, a pesquisa funciona como sinal de alerta".
Scheibe também destaca que a prática da suinocultura concentrada -- único meio atual de tornar a produção lucrativa -- cria um volume de dejetos imenso. "Cada criador na região tem até mil suínos, que produzem de oito a dez vezes mais excrementos que humanos", diz. Os dejetos acumulam-se nos rios, poluem a barragem e chegam aos aqüíferos.

https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/86999/273981.pdf.txt?sequence=2

Estudo mostra que o Aquífero Guarani já está sendo contaminado por agrotóxicos

Aquífero Guarani
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O Aquífero Guarani, manancial subterrâneo de onde sai 100% da água que abastece Ribeirão Preto, cidade do nordeste paulista localizada a 313 quilômetros da capital paulista, está ameaçado por herbicidas.
A conclusão vem de um estudo realizado a partir de um monitoramento do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) em parceria com um grupo de pesquisadores, que encontrou duas amostras de água de um poço artesiano na zona leste da cidade com traços de diurom e haxazinona, componentes de defensivo utilizado na cultura da cana-de-açúcar.
No período, foram investigados cem poços do Daerp com amostras colhidas a cada 15 dias. As concentrações do produto encontradas no local foram de 0,2 picograma por litro – ou um trilionésimo de grama. O índice fica muito abaixo do considerado perigoso para o consumo humano na Europa, que é de 0,5 miligrama (milésimo de grama) por litro, mas, ainda assim, preocupa os pesquisadores, que analisam como possível uma contaminação ainda maior.
No Brasil, não há níveis considerados inseguros para as substâncias. Ainda assim, a presença do herbicida na zona leste – onde o aquífero é menos profundo – acende a luz amarela para especialistas. Segundo Cristina Paschoalato, professora da Unaerp que coordenou a pesquisa, o resultado deve servir de alerta. “Não significa que a água está contaminada, mas é preciso evitar a aplicação de herbicidas e pesticidas em áreas de recarga do aquífero”, disse ela.
O monitoramento também encontrou sinais dos mesmos produtos no Rio Pardo, considerado como alternativa para captação de água para a região no longo prazo. “Isso mostra que, se a situação não for resolvida e a prevenção feita de forma adequada, Ribeirão Preto pode sofrer perversamente, já que a opção de abastecimento também será inviável se houver a contaminação”.
Aquífero ameaçado
O Sistema Aquífero Guarani, que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo 839., 8 mil no Brasil, 225,5 mil quilômetros na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai. Com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados, a população atual em sua área de ocorrência está em quase 30 milhões de habitantes, dos quais 600 mil em Ribeirão Preto.
A água do SAG é de excelente qualidade em diversos locais, principalmente nas áreas de afloramento e próximo a elas, onde é remota a possibilidade de enriquecimento da água em sais e em outros compostos químicos. É justamente o caso de Ribeirão, conhecida nacionalmente pela qualidade de sua água.
Para o engenheiro químico Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente (Soderma), Ribeirão corre o risco de inviabilizar o uso da água do aquífero in natura. “A zona leste registra plantações de cana em áreas coladas com lagos de água do aquífero. É um processo de muitos anos, mas esses defensivos fatalmente chegarão ao aquífero, o que poderá inviabilizar o consumo se nada for feito”, explica.
Já para Marcos Massoli, especialista que integrou o grupo local de estudos sobre o aquífero, a construção de casas e condomínios na cidade, liberada através de um projeto de lei do ex-vereador Silvio Martins (PMDB) em 2005, é extremamente prejudicial à saúde do aquífero. “Prejudica muito a impermeabilidade, o que atinge em cheio o Aquífero”, diz.
Captação
Outro problema que pode colocar em risco o abastecimento de água de Ribeirão no médio prazo é a extração exagerada de água do manancial subterrâneo. Se o mesmo ritmo de extração for mantido, o uso da água do Aquífero Guarani pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto.
A alternativa, além de reduzir a captação, pode ser investir em estruturas de captação das águas de córregos e rios que, além de não terem a mesma qualidade, precisam de investimentos significativamente maiores para serem tratadas e tornadas potáveis. A perspectiva já é considerada pelos estudiosos do chamado Projeto Guarani, que envolveu quatro países com território sobre o reservatório subterrâneo. O cálculo final foi entregue no fim do ano.
O mapeamento mostrou que a velocidade do fluxo de água absorvida pela reserva é mais lenta do que se supunha. Pelas contas dos especialistas, a cidade extrai 4% mais do que poderia do manancial. A média de consumo diário de água em Ribeirão é de 400 litros por habitante, bem acima dos 250 litros da média nacional. Por hora, a cidade tira do aquífero 16 mil litros de água. Vale lembrar que a maior parcela de água doce do mundo, algo em torno de 70%, está localizada, em forma de gelo, nas calotas polares e em regiões montanhosas.
Outros 29% estão em mananciais subterrâneos, enquanto rios e lagos não concentram sequer 1% do total. Entretanto, em se tratando da água potável, aproximadamente 98% se encontram no subsolo, sendo o Aquífero Guarani a maior delas. A alternativa para não desperdiçar esses recursos é investir em reflorestamento para garantir a recarga do aquífero, diz o secretário-geral do projeto, Luiz Amore.
Reportagem do DCI

quarta-feira, 26 de março de 2014

Plano ambiental exclui proteção ao aquífero Guarani

José Maria Tomazela - O Estado de S. Paulo  25/03/2014
O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) aprovou o plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Botucatu, na região central do Estado de São Paulo, mantendo a permissão do uso de agrotóxicos em uma das principais zonas de recarga do aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do planeta. A restrição ao emprego de pesticidas e defensivos agrícolas nessas áreas, proposta por entidades ambientais, foi retirada do documento por pressão de prefeitos e grupos empresariais. Ambientalistas afirmam que a medida põe em risco o aquífero  em um momento em que o Estado enfrenta sua maior crise hídrica.
Em reunião realizada nesta terça-feira, 25, representantes das entidades decidiram realizar uma mobilização em Botucatu, nos dias 9 e 10 de maio, em defesa do aquífero. "Vamos pedir uma revisão no plano de manejo na base da pressão popular", disse Beatriz Stamato, diretora do Instituto Giramundo Mutuando, uma das entidades que integram o conselho gestor da APA. O aquífero já abastece cidades como Ribeirão Preto, Presidente Prudente e São José do Rio Preto, e é apontado como alternativa para o abastecimento futuro das regiões metropolitanas do Estado. A própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente reconhece que a área da APA é uma zona de recarga dessa reserva estratégica de água doce, o que a coloca em situação de grande vulnerabilidade. 
De acordo com Beatriz, nos afloramentos, as rochas de arenito que armazenam a água atingem a superfície do solo e ficam expostas à contaminação. "É uma situação especial e a restrição aos agrotóxicos nessas áreas foi muito discutida, mas acabou prevalecendo o voto a favor da contaminação", disse. De acordo com Nelita Correa, presidente da SOS Cuesta de Botucatu, o plano de manejo havia sido aprovado pela comissão de biodiversidade do Consema, mas teve voto contrário da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Além da restrição ao uso de agrotóxicos, a entidade também se opôs à regra que limitava o emprego de sementes transgênicas na região.
Transgênicos. Em reunião convocada pelo prefeito de Botucatu, João Cury (PSDB), a Fiesp pediu o apoio de prefeitos da região para a retirada das restrições. No Consema, a exclusão das restrições venceu por 12 votos a 11. "Botucatu é um dos polos de agroecologia do Estado e houve um apelo social pela limitação aos transgênicos e agrotóxicos. Na votação, no entanto, o plano foi mutilado e, sem essas diretrizes, as águas subterrâneas e superficiais correm risco", disse Nelita.
A APA Botucatu abrange 218 mil hectares em nove municípios da região e inclui a Cuesta de Botucatu, com remanescentes dos dois biomas característicos do Estado - a Mata Atlântica e o Cerrado -, além de sítios arqueológicos e formações geológicas incomuns. Em nota, a Fiesp informou ter participado das discussões sobre o plano de manejo e sua análise é que os aspectos referentes ao uso de agroquímicos e ao cultivo de organismos geneticamente modificados não se encontravam suficientemente amadurecidos para uma decisão final em plenário. Por essa razão, a Fiesp apresentou proposta para a criação de um grupo técnico para aprofundar os debates e estabelecer estratégias e prazos compatíveis a um programa de uso e monitoramento de agrotóxicos na APA. A proposta foi acatada pelo Consema e aguarda-se a criação do grupo pela Secretaria. 

Ministério Público quer proibir uso do glifosato

Reportagem original AQUI


Ministério Público no Distrito Federal (MPF/DF) acionou a Justiça pedindo a suspensão do uso do glifosato – o herbicida mais utilizado no Brasil. Além dele, a procuradoria quer impugnar ainda o 2,4-D e os princípios ativos: parationa metílica, lactofem, forato, carbofurano, abamectina, tiram e paraquate.

São duas ações protocoladas. “A primeira medida visa obrigar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a reavaliar a toxidade de oito ingredientes ativos suspeitos de causar danos à saúde humana e ao meio ambiente. Em outra frente, o órgão questiona o registro de agrotóxicos que contenham o herbicida 2,4-D, aplicado para combater ervas daninhas de folha larga”, explica o MP em seu site.

Nas duas ações é solicitada a antecipação de tutela. A procuradoria pede a concessão de liminar para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspenda o registro dos produtos até a conclusão definitiva sobre sua toxidade pela Anvisa.

Na ação civil que contesta o registro do herbicida 2,4-D, o MP pede que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) seja proibida de liberar a comercialização de sementes transgênicas resistentes à substância até um posicionamento definitivo por parte da Anvisa.

“Se for mantida a mesma proporção de resultado das avaliações anteriores, presumivelmente, cerca de dois terços (dos ingredientes impugnados na ação do MPF) também serão banidos do país por demonstrarem alto risco e grau de toxidade”, justifica o órgão na ação civil.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carta aberta aos Gestores de UCs

Carta aberta de alerta e denúncia sobre o processo de elaboração e posterior aprovação no CONSEMA dos Planos de Manejo das Áreas de Proteção Ambiental - APAs 
A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, através da Fundação Florestal, abriu nesta semana edital para a contração de empresas para elaboração de 16 Planos de Manejo para Unidades de Conservação do estado de São Paulo.
O objetivo dos Planos de Manejo das APAs é proteger os atributos presentes nesses territórios, regulamentando a ocupação e o uso dos recursos, diferenciando a ocupação humana, o uso dos recursos naturais e as práticas econômicas daquelas praticadas em outras áreas não protegidas.
Ocorre que a recente aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu no CONSEMA -liberando o uso de agrotóxicos classe I e II, o uso de organismos transgênicos e a liberação de quaisquer atividades econômicas nas áreas de recarga do Aquífero Guarani-, fragiliza esse instrumento de gestão, deixando a região  praticamente tão vulnerável quanto era antes da criação da APA. Esta aprovação abre um precedente perigoso e deve ser objeto de reflexão para as demais Unidades de Conservação. Todo um esforço que será empreendido pela Fundação Florestal, pelos Conselhos Gestores e outros envolvidos, com uso de recursos públicos, para a elaboração dos futuros Planos de Manejo podem, a exemplo do ocorrido com o Plano da APA de Botucatu, na última etapa de aprovação, ter suas principais salvaguardas descartadas do corpo geral do documento.
Se for para suprimir as ações que visam a proteção da Unidade de Conservação, qual o sentido da criação dessas unidades? Que instrumentos podem ser utilizados para assegurar a conservação dessas áreas?  Existem custos na criação de uma Unidade de Conservação que envolvem contratação de pessoas, estrutura física, entre outros. Como se sente um contribuinte diante de gastos públicos cujos resultados não são alcançados, não por outro motivo, senão pela própria incoerência do governo de criar as Unidades de Conservação e não permitir os mecanismos para salvaguardar seus atributos?
O processo de aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu - mutilando-o em seus aspectos cruciais - mostra o descaso do governo do estado com a conservação ambiental.  Na primeira reunião do CONSEMA para aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu, a votação foi suspensa porque o documento a ser avaliado e votado, embora estivesse disponível na secretaria do CONSEMA há quatro meses, somente foi enviado aos conselheiros na véspera da reunião, levando o Ministério Público a pedir o adiamento da votação pelo desconhecimento da matéria a ser avaliada. Na plenária de votação final, ocorrida na última quarta feira, dia 26 de fevereiro de 2014, os principais itens de proteção da APA foram destacados do corpo do Plano de Manejo, tendo sido, por votação, excluídos do mesmo, tornando-o ineficaz na proteção da área, e desfigurando, portanto, o objetivo para o qual foi criado.
Fica aqui, portanto, registrado o nosso protesto, a nossa denúncia e o nosso alerta a todos os envolvidos com as Unidades de Conservação, sobre o processo decisório do CONSEMA que desconsiderou todos os argumentos e evidências que orientaram o processo de elaboração e análise técnica do Plano de Manejo da APA Botucatu, descaracterizando-o totalmente, colocando em risco os frágeis atributos da APA em questão e privilegiando exclusivamente a defesa do interesse econômico majoritário, em detrimento dos interesses da sociedade civil.

Associação Comunitária João de Barro

Instituto Itapoty

Associação Nascentes

Associação Biodinâmica

SOS Cuesta

Perda total!

Esta quarta-feira, dia 26 de fevereiro de 2014, foi um dia que jamais poderá ser comemorado pelo movimento ambientalista comprometido com a verdade dos fatos, porque foi um dia de perda. A aprovação do Plano de Manejo da APA de Botucatu,completamente mutilado pela votação do CONSEMA, liberando o uso de agrotóxicos classe I e II ( os piores para a saúde humana e para o meio ambiente), o uso de transgênicos e a falta de restrição à implantação de atividades potencialmente poluidoras nas áreas de recarga do Aquífero Guarani, representa uma perda incalculável.
É uma perda para o contribuinte que vê os recursos gastos pelo estado para criar a APA, manter estruturas, contratar pessoal, contratar a elaboração do Plano de Manejo, por fim não criar os mecanismos para levar a cabo o objetivo da APA, a saber, a proteção de atributos específicos presentes na região das cuestas basálticas, região de mananciais e áreas de recarga do Aquífero Guarani. Porque criar a APA se as práticas adotadas não servem para diferenciar o uso desta área de outras áreas?
Para a sociedade, perde-se uma década de discussões participativas entre os diferentes atores,sociedade civil, setor econômico e poder público, através do Conselho Gestor da APA, que foram desconsideradas e abrem precedente para que todos os demais Planos de Manejo de outras APAS também desconsiderem as discussões democráticas realizadas pelos conselhos gestores.
Para as futuras gerações, perderam-se os mecanismos que poderiam salvaguardar a qualidade do meio ambiente, da proteção dos recursos hídricos, da biodiversidade desta porção do território do Estado de São Paulo.

Heidi Buzato
(da diretoria da Associação João de Barro)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Plano de Manejo da APA Botucatu é aviltado no CONSEMA

Agradecemos a todos que assinaram o abaixo assinado, mas infelizmente o resultado da votação do Plano de Manejo da APA Botucatu hoje no CONSEMA foi terrível, pois o agronegócio falou mais forte e o nosso Plano de Manejo foi mutilado de forma violenta através da exclusão de todos os mecanismos importantes de controle do uso de agrotóxicos e restrições ao plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs) na área da APA. O atual secretário estadual do meio ambiente, Bruno Covas, representantes da FIESP, FAESP, CIESP Botucatu e os prefeitos do PSDB da região, através de carta liderada por João Cury, orquestraram esse terrível resultado para o Meio
Ambiente da nossa região.Como resultado não teremos os meios legais facilitados pelo Plano de Manejo para salvaguardarmos coisas básicas e vitais tais como as áreas de recarga do nosso Aquífero Guarani. Uma década de trabalho de vários técnicos e entidades ambientalistas foram jogados ao
lixo por interesses de uma minoria sem visão e comprometimento com o futuro das próximas gerações da nossa querida região. Resta-nos a mobilização política.Nossa vingança estará nas urnas, pois sabemos das ambições tanto do Bruno Covas, quanto do João Cury. Por favor divulguem, nossa arma é desmascarar esses políticos e seus reais interesses!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CONSEMA: Queremos a aprovação na íntegra do Plano de Manejo da APA Botucatu!

Petição: http://www.avaaz.org/po/petition/CONSEMA_Conselho_Estadual_do_Meio_Ambiente_SP_Aprovacao_na_integra_do_Plano_de_Manejo_da_APA_Botucatu/?cmSNKab

CONSEMA – Conselho Estadual do Meio Ambiente – SP: Aprovação na íntegra do Plano de Manejo da APA Botucatu.

Por que isto é importante

O Plano de Manejo da APA Botucatu é um documento técnico elaborado com ampla participação da sociedade representada por ONGs, poder público, iniciativa privada, sindicatos, conselhos de classes, membros da academia e lideranças regionais.

Este Plano define o zoneamento ambiental de 9 municípios com norma e diretrizes de uso e ocupação dos solos e os programas de ação visando a proteção dos atributos ambientais e o desenvolvimento das atividades produtivas.

O Perímetro Botucatu abrange parte do território dos Municípios de Angatuba, Avaré, Bofete, Botucatu, Guareí, Itatinga, Pardinho, São Manuel e Torre de Pedra ocupando uma área total de 218.306 ha.

O objetivo da criação desta categoria de Unidade de Conservação é conciliar Proteção e Desenvolvimento, assim sendo, a APA Botucatu é destinada a proteger as Cuestas Basálticas e os Morros Testemunhos, as áreas de recarga do Aqüífero Guarani e as águas superficiais, a vegetação natural, onde encontram-se importantes remanescentes da Mata Atlântica e do Cerrado, que abrigam riquíssima fauna.

Além do grande patrimônio natural, destaca-se ainda um dos mais importantes sítios arqueológicos do Estado de São Paulo, o Abrigo Sarandi, situado no município de Guareí com registros pré-históricos com cerca de seis mil anos.

A sociedade clama pela aprovação do Plano de Manejo para garantir:

- A Conservação integral de fragmentos florestais e de savana
- A recuperação de APPs hídricas;
- A Proibição de pulverização aérea na área das bacias de captação de água para abastecimento público,
- A Restrição ao uso de agrotóxicos - classe Toxicológica I e II;
- A área livre de OGM.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Perigo de contaminação do Aquífero Guarani por agrotóxicos

Pesquisadores (AVALIAÇÃO DO PERIGO DE CONTAMINAÇÃO DO SISTEMA AQUÍFERO GUARANI EM SUA ÁREA DE AFLORAMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO DECORRENTE DAS ATIVIDADES AGRÍCOLAS:Marina Costa Barbosa, Ana Maciel de Carvalho, Priscila Ikematsu, José Luiz Albuquerque Filho, Ana Candida Melo Cavani) concluem que a possibilidade contaminação do Aquífero Guarani em área de recarga demanda políticas públicas de proteção imediatas:



Perigo de Contaminação do SAG decorrente de fontes difusas.

Resultados do trabalho de pesquisa:

Perigo de contaminação do SAG decorrente das atividades agrícolas:


Alto:2.248 (km²)
Moderado:281(km²)
Não Determinado:23.581(km²)