quarta-feira, 24 de julho de 2013

Apicultores apontam agrotóxicos como culpados por mortes de abelhas

Aplicação de determinados tipos de defensivos agrícolas poderiam causar a morte dos insetos, responsáveis pela polinização de plantas utilizadas na alimentação. Tanto a falta de abelhas quanto a restrição ao uso de agrotóxicos pode causar perdas para a agricultura.
A morte de abelhas provocada pelo uso de agrotóxicos é estudada no Brasil há quatro anos.
Um desafio se impõe a produtores rurais e ambientalistas no País. Como utilizar agrotóxicos em determinadas culturas sem provocar a morte de abelhas responsáveis pela polinização de plantas utilizadas na alimentação? O problema vem sendo estudado no Brasil há pelo menos quatro anos e foi discutido nesta quinta-feira (4) em audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a pedido do deputado Antônio Roberto (PV-MG).
Representantes dos apicultores e do Ministério do Meio Ambiente relataram casos de mortalidade e apontaram como maior culpado o uso de agrotóxicos neonicotinoides. Há suspeitas de que a substância cause a morte de abelhas ou provoque lesões como a perda de orientação no espaço ou de olfato.
“Abelhas saem e não voltam para as colmeias porque perdem a orientação. Ou não encontram as flores a serem polinizadas porque não têm olfato”, explicou o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), José Cunha, representante de 350 mil apicultores. Segundo ele, não se conhece um número exato de mortes no Brasil, mas o fenômeno é mundial.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre para discutir a mortandade disseminada das abelhas devido ao uso de agrotóxicos. Coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, Márcio Rosa Rodrigues de Freitas
Márcio Freitas, do Ibama: não há controle sobre toda a aplicação aérea de agrotóxicos no País

Proibição
No ano passado, o Brasil, de forma semelhante a países da Europa, proibiu a pulverização aérea de agrotóxicos neonicotinoides que contenham os ingredientes ativos Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina ou Fipronil. Por outro lado, na Câmara tramita um projeto de decreto legislativo (PDC 809/12) que prevê a suspensão da medida, prevista em decisão do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O PDC está pronto para análise da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e recebeu parecer pela aprovação do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP). O deputado Antônio Roberto, no entanto, adiantou que, quando a proposta chegar à Comissão de Meio Ambiente, trabalhará por sua rejeição.
O argumento de Duarte Nogueira é de que o Ibama extrapolou suas atribuições legislativas e que a medida pode causar prejuízos ao País. O coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, Márcio Freitas, porém, rebateu dizendo que cabe ao Ibama regular agrotóxicos. Ele disse ainda que, em resposta às demandas dos produtores, o Ibama flexibilizou a regra, permitindo a pulverização dos agrotóxicos nas culturas de soja, cana, trigo e arroz fora da floração.
“Não temos nada contra a aplicação aérea, mas dizer que ela é segura é complicado. A gente sabe que não há controle sobre toda a aplicação aérea no País”, disse Márcio Freitas. Na avaliação do coordenador, faltam regulações claras, o que teria levado, em maio deste ano, em Rio Verde (GO), um avião a pulverizar em cima de uma escola, intoxicando 42 crianças.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Rachel Librelon
Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 09/07/2013

Intoxicação e morte por agrotóxicos no Brasil

Em artigo intitulado Intoxicação e morte por agrotóxicos no Brasil: a nova versão do capitalismo oligopolizado, a professora do Programa de Pós Graduação em Geografia Humana da USP, Larissa Mies Bombardi, apresenta o funcionamento das principais empresas transnacionais que controlam o modelo de produção do agronegócio.

Larissa nos elucida a atuação dessas empresas produtoras de agrotóxicos na agricultura brasileira, cuja forma "de organização e inserção no mercado visa a subordinação da renda da terra e se articula oligopolisticamente."

Abaixo leia a introdução:
O Brasil, como é sabido, alcançou em 2009 o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos, embora não sejamos, como também é sabido, o principal produtor agrícola mundial.
As indústrias produtoras dos chamados "defensivos agrícolas" – aliás uma expressão eufemística, que escamoteia o verdadeiro significado daquilo que produzem: veneno – tiveram, segundo o Anuário do Agronegócio 2010 (Globo Rural, 2010), uma receita líquida de cerca de 15 bilhões de reais.
Deste total, 92% foram controlados por empresas de capital estrangeiro: Syngenta (Suiça), Dupont (Estados Unidos), Dow Chemical (Estados Unidos), Bayer (Alemanha), Novartis (Suiça), Basf (Alemanha) e Milenia (Holanda/Israel), apresentadas na seqüência por receita líquida obtida. Vale mencionar que nestes dados não estão incluídos as informações da receita da Monsanto - fabricante do glifosato "round up", herbicida vendido em larga escala no Brasil e popularmente conhecido como "mata-mato", o que nos permite afirmar que este número é sem dúvida muito maior.
A Syngenta, por exemplo, que ocupa o primeiro lugar no rankeamento do setor, está instalada em 90 países, com cerca de 24 mil funcionários, dos quais, 4 mil no Brasil. Nos últimos cinco anos sua receita, em dólares, triplicou no país. (Anuário do Agronegócio, Globo Rural, 2010).
Estas pequenas informações dão indícios do que significa, atualmente, a internacionalização da agricultura. A agricultura brasileira é, sem dúvida, monopolizada pelo capital internacional.
Se analisarmos o consumo de agrotóxicos pelas pequenas propriedades, de acordo com o Censo Agropecuário de 2006 (IBGE), verificaremos que dentre aquelas que têm entre 0 e 10 hectares, 23,7% utilizaram agrotóxicos e 2,9%, embora não tivessem utilizado no ano do Censo, costumam utilizar. Isto significa que dentre as menores propriedades do Brasil, 27% lançam mão do uso de agrotóxicos.
Já entre as propriedades que têm entre 10 a 100 hectares, a porcentagem daquelas que utilizaram agrotóxicos no ano do Censo alcançou 33,2%, se consideradas aquelas que utilizam, mas não utilizaram no ano do Censo, este número chega a 36%.
Estes dados são extremamente reveladores de um intenso processo de subordinação da renda da terra camponesa ao capital monopolista: mais de 1/3 das pequenas propriedades no Brasil utilizam venenos. Neste sentido, toda vez que o camponês destina parte de sua renda à compra de insumos químicos, sejam eles agrotóxicos ou fertilizantes, esta renda é apropriada pelo capital industrial internacional e, sobretudo, monopolista.
A expressão monopólio, neste caso, aparece mais vívida do que nunca: Estados Unidos, Suíça e Alemanha, juntos, através de suas empresas, controlam 70% da venda de agrotóxicos no Brasil.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Dia de Campo em Pardinho (EpS em UPA*)

Em 03/06/2013  aconteceu o Dia de Campo em Pardinho (veja como foi toda a programação do evento clicando AQUI ) que com grande êxito propiciou diversas vivências de aprendizado e troca de informações  relevantes à sustentabilidade da nossa região entre agricultores, técnicos e ambientalistas.
O objetivo geral do encontro foi o de demonstrar na prática,  uma forma viável de resolver o saneamento ambiental das águas domiciliares e a recomposição florestal com modelo agroflorestal, ambos alicerçados em base legal.
Várias instituições ( Instituto Jatobás; EDR – CATI – Botucatu; Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; APA – Corumbataí, Botucatu e Tejupá – perímetro Botucatu;Fundação Florestal; Iniciativa Verde ) somaram esforços para a realização desta atividade, acreditando ser uma iniciativa de extrema importância para o desenvolvimento rural sustentável da região, preconizando o meio ambiente. É importante salientar que essa região, entre outras importâncias ambientais, configura-se em local de recarga do Aquífero Guarani, sendo a conservação de solo e água no seu território de vital importância inclusive no âmbito nacional.
Esse dia de campo mostrou que a conservação e a melhoria da qualidade de vida do agricultor é absolutamente viável. Destacamos a pertinência deste modelo de desenvolvimento para territórios especialmente protegidos, aliás, para quaisquer territórios!



*EDUCAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE (EpS) em Unidade de Produção Agropecuária (UPA)


quinta-feira, 4 de julho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

Assine a Petição em defesa do Aqüífero Guarani!



A maior parte da água existente no mundo é salgada, 97,5%. A água doce no mundo, estocada em rios e lagos, representa apenas 0,3% de 2,5% do total de água doce presente no Planeta. Esta porcentagem ainda não representa o total de água doce pronta para o consumo, pois a situação das águas superficiais em muitos locais, principalmente próximas aos centros de consumo não é boa devido a poluição e degradação dos cursos d´água. O restante dos 2,5% de água doce está nos lençóis freáticos e aqüíferos, nas calotas polares, geleiras, neve permanente e outros reservatórios.
O Sistema Aqüífero Guarani é considerado um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do planeta, com 37000 Km3 de água de capacidade e um volume anual de 163 Km3 de fluxo de recarga, um verdadeiro Gigante Guarani. O Aqüífero encontra-se sob área de quatro paises: Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Somente no Brasil percorre 8 estados, do Rio Grande do Sul ao Mato Grosso. Com uma extensão calculada em mais de 1 milhão de Km2, e a área de Recarga com 46.211 Km2.

Desde 2009 o aqüífero entrou no estado que se chama rebaixando, ou seja, seu volume de recarga é inferior ao volume de água retirado.

O ponto mais vulnerável do Aqüífero Guaraní é a área de afloramento dos arenitos que o envolvem: O Arenito Botucatu e Pirambóia. Nestes locais a susceptibilidade a contaminação é muito alta, requerendo um manejo diferenciado que preveja controle do uso de substâncias potencialmente contaminantes e a orientação do uso do solo a fim de prevenir processos erosivos e degradadores.

Ao mesmo tempo também é importante apontar alternativas para um uso sustentável através da produção de alimentos orgânicos, integrando diferentes ciências de produção como Agroecologia, Permacultura, Agricultura Biodinâmica entre outras, que ajudem a construir um futuro produtivo para as comunidades locais, ao mesmo tempo que, preserve e proteja suas riquezas naturais.

A petição visa:

1- subsidiar a apoiar a aprovacäo do Plano de manejo da APA Botucatu-Corumbatai-Tejupa, no perímetro Botucatu.

2- fomentar a criação da Agencia da Recarga, Instancia que norteara ações de proteção desta área de manancial.

3-criar um fundo para desenvolvimento de projetos pilotos voltados para o aperfeiçoamento e fomento a modelos de produção mais sustentáveis.

4-subsidiar a criação de leis estaduais e federais que normatizem o uso desta area e defina punições para quem contaminar o aqüífero.

Clique AQUI e assine!